Um thriller dramático ambiental ambientado na Juréia, 1979 — onde um crime revela a trama entre ambição, ética e a luta pela preservação de um dos territórios mais preciosos da Mata Atlântica.
Em 1979, na Juréia, a morte de uma jovem em uma vila isolada leva um investigador a descobrir uma trama que liga crime, disputa fundiária e a ameaça de destruição de um dos territórios mais preciosos da Mata Atlântica.
Quando uma telefonista é encontrada morta em uma vila da Juréia, um jovem investigador é enviado para apurar o caso. O que parecia um episódio isolado revela conexões com interesses econômicos, conflitos territoriais e um projeto imobiliário ambicioso.
Em meio à tensão entre moradores tradicionais, especuladores e agentes externos, a investigação expõe não apenas um crime, mas um embate mais profundo entre ambição, ética e preservação.
"Assassinato no Paraíso" me atrai pela contradição central: um crime brutal em um lugar de beleza quase sagrada. Esse choque — entre o paraíso natural e a violência humana — é o motor do filme. Mais do que um thriller investigativo, vejo essa história como um retrato do nascimento de um Brasil moderno que avança sobre territórios invisíveis, apagando culturas, corpos e memórias.
Minha ideia é filmar a Juréia como um personagem do filme, e não apenas um cenário. A natureza não será pano de fundo, mas força dramática — às vezes acolhedora, às vezes opressiva. A linguagem será imersiva, com uso de luz natural, às vezes planos longos e uma câmera que oscila entre a contemplação e a tensão. O silêncio terá peso. O som do mar, do vento e da mata terá a mesma importância que os diálogos.
A investigação conduzida por Hélio será tratada com rigor, mas sem pressa. O filme se constrói na fricção entre o olhar racional do investigador e um mundo que não se organiza pela lógica urbana. À medida que ele mergulha naquele universo, o filme também se transforma — de um policial clássico para um drama moral e, por fim, uma tragédia política.
Vejo referências em obras que trabalham território e conflito de forma atmosférica e humana, tendo como principal ponto "Zodiac", por focar na precisão investigativa e na obsessão crescente. Mas "Assassinato no Paraíso" tem uma identidade própria: profundamente brasileira, com raízes no nosso litoral, na nossa história recente e nas tensões que ainda hoje definem o país.
A importância de contar essa história hoje é evidente. "Assassinato no Paraíso" fala sobre disputa de território, sobre progresso imposto e sobre quem paga o preço desse avanço. O crime é o ponto de partida — mas o verdadeiro mistério é outro: quem tem o direito de decidir o destino de um lugar?
No fim, não há resolução confortável. O assassinato se esclarece, o empreendimento não acontece, mas o paraíso continua ameaçado. E talvez essa seja a essência do filme: a percepção de que, em certos contextos, a justiça nunca alcança o que realmente está em jogo.